Devaneios de quem não sabe esperar.

09:00

Never Stop Dreaming. | via Tumblr 

Era manhã. Desde que acordei todos os meus pensamentos se voltavam para apenas um compromisso que possivelmente teria naquele dia. Pensando em não o perder, me agendei, programei e imaginei que nada nem coisa alguma iria me desviar a atenção do que para mim poderia ser um dos dias mais importantes em muito tempo. E o sol foi-se, levando consigo outros momentos e compromissos cansativos e sem importância alguma. Terminadas as minhas obrigações rotineiras lá estava eu, sentado na praça marcada, olhando para o chão e questionando-me até mesmo em qual posição deveria esperá-la; do outro lado da rua estava um pássaro, azul, elegante e sorrateiro; parecia negar-se voar com os outros, e o fazia firmemente enquanto os mesmos piavam para lhe chamar a atenção. Questionei-me se o pequeno pássaro teria as mesmas atitudes e convicções se fosse humano, e ao invés de apenas beber um ou dois goles d'água de uma poça qualquer ele tivesse que gritar e tomar posições para fazer o que quisesse. Tendo isso como fundamento apontei que a vida animal era puramente mais fácil; amaldiçoei-me por ser humano e ter sentimentos como insegurança e amor. Sem mais pensamentos ela chegou, deu-me um grande e apertado abraço, avulso, pois não é normal recebê-los de mulheres; e fomos andando, caminhando e nos conhecendo; tendo em primeiras conclusões, apontei-a vários defeitos, e em minha cabeça já arquitetava formas de exclusão, quando dei-me conta de que assim como o tal pássaro eu deveria ter as convicções do que eu realmente queria. Então olhei-a de outra forma e de repente estava eu apaixonado? Ela me arrancou sorrisos e da forma mais pura possível encontrou o próprio espaço em minha mente, e acredito que pela eternidade. Tudo havia dado certo; concluí que graças às convicções e decisões que tomei, como o tal pequeno pássaro que não sei se realmente estava lá ou só na minha imaginação. 

Elcimar Reis.

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Comentários
4 Comentários

4 mil comentários

  1. Cada palavra foi bem colocada. Ao fim do texto concluí que talvez, e só talvez, o pássaro azul possa ter sido mesmo imaginação... Momentos de espera rendem devaneios hilários — às vezes filosóficos, como foi o caso do moço ansioso. O fato é: uma vez que ele esqueceu os julgamentos e conclusões, viu a moça sob um novo olhar e, assim, tornou-se mais leve. Deixou-se levar. Permitiu-se apaixonar.

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  2. Que texto lindoo! Não sei se você lembra de mim, eu tinha aquele blog Coisas de Meninas em 2012, 2013 e a gente vivia trocando comentários e tal... Haha, que saudade dos seus textos!
    www.baad-queen.blogspot.com

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  3. Lança um livro de contos logo pelo amor de Deus! Adorei a filosofia desse texto, e o modo de como colocou as palavras. Parabéns.
    http://blogexplicita.blogspot.com.br/

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  4. Quando racionalizamos em excesso, deixamos de aproveitar o que a vida reserva de melhor: a espontaneidade. E seu belo texto é uma deliciosa reflexão sobre essa auto-permissão irracional.
    Parabéns!!

    O Mundo Em Cenas

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