Olá, Sophia. II

11:38

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             "Ola, Sophia." ele disse. Como ele poderia saber meu nome? Deduzi calmamente que alguém da redação havia o dito; mas do mesmo modo, considerei algo fora do normal, afinal de contas, havia sido designada para a entrevista momentos antes de sair do último dia do expediente. Laura não poderia ir, então eu haveria de ir. 
            "Olá, Senhor Eduardo!" introduzi os cumprimentos e logo a entrevista, porque, de todos os lugares do mundo, ali, eu não queria estar. 
              "Como pode saber, o jornal está interessado em uma parceria com o senhor; nossa entrevista irá para a seção da cultura, com várias imagens dos seus quadros, e em troca, o nome do jornal aparecerá como patrocinador na sua exposição! O senhor está ciente disto?" - perguntei. 
           "Estou sim!" - disse ele, com uma voz rouca, que não havia reparado quando ele disse o estranho "Olá, Sophia!" - "Digo-lhe que adoraria concretizar nossa parceria como a senhorita mesmo disse, mas receio que não poderei fazê-lo." - o português perfeito, com a tal voz rouca, e os olhos que quase não piscavam, me fez estremecer um pouco, mas mantive-me firme e questionei o porquê.   
             Antes que ele pudesse matar a minha curiosidade em responder o porquê em não fazer a parceria com o jornal, que deveras havia sido o principal motivo em não estar em casa naquele tenebroso dia, a garçonete do vestidinho dos anos 90 reapareceu, dando-nos o cardápio, e com um sorriso, agora, macabro, perguntando o que gostaríamos de comer. Ele pediu uma massa e eu apenas um salada; afinal, quem come massa de manhã? 
               "Se pudesse escolher entre ficar presa, sem contato algum com ninguém, mas feliz, a morrer triste em liberdade, o que você escolheria Sophia?" - a pergunta não poderia ser nada mais do que a mais estranha de todas, mas nem reparei muito na estranheza da mesma, porque afinal, aquele dia inteiro se fazia estranho. 
           "Acho que escolheria a liberdade triste! Por quê?" - disse, fingindo-me responder uma pergunta qualquer. 
                 "Mas há lógica em liberdade triste?" - ele me perguntou! - "Explique-me!" 
              "Com a liberdade poderia conhecer o mundo, pessoas, e viver momentos, mesmo que fossem tristes. Me parece, que viver sozinho e feliz nada mais seria do que a loucura." - o respondi. 
                "De fato, está certa! Então como você classificaria nosso encontro? Em uma liberdade triste ou uma prisão feliz?" 
                 Parei por um instante, refleti um pouco, e deduzi que aquele ponto preto e branco em um dia quase preto era mais enigmático do que o que dele eu podia ver.

Leia o capítulo I, clicando aqui.

Elcimar Reis. 

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