Olá, Sophia.

10:52

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          Sabe quando acordamos em um daqueles dias escuros, sem vida ou graça alguma? E tudo o que queremos fazer é apenas descansar e criar para nós mesmos algo que nos proteja da perversidade de fora? Pois então; era um desses dias. Mas infelizmente, não pude me enclausurar dentro do meu quarto, pois já havia feito o tal compromisso e tinha que me ceder à ele.
          Levantei, procurei o que precisava, torradas, bolo, suco, vestido rosa, chaves, carro, trânsito.
         Vida de jornalista não é coisa simples! Digo-lhes de ante-mão. Há quem diga que é divertido, e que a profissão nos agrada, mas a realidade é que qualquer um gostaria de fazer nada naquele dia sombrio. E eu, deveras, tinha outra entrevista!
          Quando cheguei no local marcado, logo reparei na chamativa decoração calma; um restaurante vintage no meio da cidade, repleto de flores e composto por mesas metálicas que possuíam, também, formas florais; sentei-me na mesa cinco; logo veio até a mim, uma garçonete; ela usava um vestidinho cativante dos anos 90, que realmente me fez sentir mais feliz em meio aquele tedioso dia. Disse à ela que esperaria por um pessoa, antes de fazer o pedido. Ela me olhou, com um largo sorriso, e foi-se fazendo outros afazeres que são típicos de garçonetes. Saia de um pequeno rádio, ao fundo, uma melodia de Elvis, deixando-me mais calma. O restaurante, até o momento, era tudo o que estava valendo a pena.
         Foi aí então, que ele chegou; todo caricato. Olhei para fora exatamente no momento em que aparecera no vidro; o céu, atrás dele, se fazia em demônios, trovejando e gritando. Ele usava preto, possuía cabelos também pretos, e mal penteados; seus olhos eram castanhos-escuros e toda a escuridão que carregava consigo se fazia oposta à pele clara que possuía. Andou até a mesa cinco, como se já me conhecesse; sem olhar para os lados, ou fazer qualquer pergunta referente à alguém à sua espera. Quase não movia sua cabeça, ou piscava seus olhos. Sentou-se à minha frente na mesa e disse: "Olá, Sophia".

Elcimar Reis. 

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