O Navegador. III

18:00


Certo dia findou-se a mansidão. O navegador, de longe, ouviu gritarem: as tempestades chegarão! E de fato, chegaram. A cada onda, mais água entrava no convés. E aos poucos, foi o navegador e seu pacato navio encontrar o fundo do mar. Mas era estranho, pois ao tempo em que as águas o tampavam, o navegador ao fundo, parecia gostar. Era como se sempre soubesse de seu fatídico destino em tal alto mar. Embora parecesse, nem um pouco disto ele gostava. A verdade, é que de tudo estava cansado; havia muito batalhado! E após tantas batalhas, decidiu abraçar as profundezas do azul mar. Ao fundo, a tempestade. Mais ao fundo ainda, debaixo d'água, estava o cansado navegador em seu leito de morte. Apenas assistindo o que parecia eterno se acabar, sem sorte. Mas como pôde, um amor avassalador, se tornar o mártire de nosso navegador? Ele já não ouvia o sorriso atormentar sua mente, já não enxergava o olhar distinto de quaisquer outros olhares, nem tão pouco sentia o molhado beijo dos lábios ardentes. Ele havia afundado em seu maior desejo, e pela morte fora abraçado. Pobre navegador... morreu de amor! 

FIM. 

Elcimar Reis.

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Comentários
5 Comentários

5 mil comentários

  1. Lindo, lindo...!

    A canção dizia que é doce morrer no mar... Será doce morrer de amor? De aMAR?

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    1. uhaushuahsu. Que bom que gostou Lariii. Dona dos melhores comentários! ♥

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  2. Nossa senhora, que coisa mais linda (embora tenha um final triste) Amei a série, escreva mais pois vou amar ler <3

    Born in 1996

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    1. Owwnnt Renata. Fico super feliz que tenha gostado! ♥ Pretendo escrever mais mesmo! hahahaha!

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  3. "Pobre navegador... morreu de amor!" Não sei o que dizer além de lindo, lindo, lindo! Sério, é como se o texto desse um abraço na gente. Escreve mais, please! Amei muito <3

    melninas.blogspot.com.br

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