"Os 13 Porquês" - crítica.

18:00

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(esta postagem contém spoilers) 

"13 Reasons Why", ou em português, "Os 13 Porquês", é o mais novo investimento da Netflix. A série estreou no dia 31 de Março na plataforma, e rapidamente ganhou destaque e reconhecimento internacional pela qualidade. Dirigida por Tom McCarthy e produzida pela atriz e cantora Selena Gomez, a série narra o drama da vida adolescente da forma mais crua e dolorosa possível.

No decorrer das últimas semanas, após o lançamento oficial, eu simplesmente perdi a conta de quantas pessoas estavam falando sobre a série nas redes sociais, ou quantas postagens li sobre, ou ainda, quantas indicações recebi. Inclusive, isto até me fez pensar se valeria mesmo a pena escrever sobre, visto que já existe uma quantidade enorme de resenhas e postagens em diversos outros blogs. E o Acesso Permitido seria apenas mais um. Contudo eu os fui ler. Procurei a opinião de blogueiros em diversas resenhas, e percebi que a maioria das postagens, salvo uma ou outra, não continham o que eu gostaria de dizer. Então por isto: trago-lhes uma resenha não usual à "13 Reasons Why".

A série foi inspirada no livro do autor norte-americano Jay Asher, com o mesmo nome. Não tive a oportunidade de ler o livro, mas ao conversar com uma amiga que leu, já fui logo avisado que houve pequenas alterações. Contudo, não irei julgar este quesito. Todas as adaptações, como a própria palavra já diz... são adaptações, não é mesmo?

A trama narra a estória de Hannah Baker, interpretada por Katherine Langford. No primeiro episódio já escutamos as dolorosas palavras de Hannah gravadas em 7 fitas com dois lados cada uma. Hannah se suicidara dias antes. As fitas continham, então, as motivações que a levaram a se matar. Conhecemos, logo após, Clay Jensen, interpretado por Dylan Minnette. Designado à escutar todos os 13 lados das 7 fitas deixadas pro Hannah, Clay se vê desolado ao perceber que poderia ser um dos motivos que a levara a tirar a própria vida. Porquê? Porque Clay estava nas fitas? O que ele haveria feito? Ao decorrer, entendemos. Descobrimos não só o que Clay havia feito, mas também o que todos os outros protagonistas das outras fitas também fizeram.

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Temas como: abuso sexual, estupro, drogas, alcoolismo, suicídio e depressão, são abordados na trama. E quanto à isto. Não há o que se discutir. Depois de um tempo, friza-se, realmente é possível perceber e entender quais foram os motivos que levaram Hannah a se matar. E a cada episódio (a cada fita), percebemos o crescimento desses motivos até o estopim final. Nisto a série ficou de parabéns! Contudo, há alguns detalhes que eu gostaria de ressaltar:

1

Uma das coisas que eu mais gostei foi: a produção. Extremamente boa. A jogada de câmera, as aparições de Hannah nas visões de Clay, a fotografia mais escura na atualidade (após a morte de Hannah), e a fotografia mais viva ou com cores fortes (antes da morte dela), são motivos que me fizeram perceber que a produção realmente pensou em cada detalhe. Essa separação do lapso temporal pelas imagens e cores fizeram toda a diferença. Clay vislumbrando Hannah enquanto escutava as fitas, também. Enfim. Ótimo.


Um outro ponto que quero abordar é em relação à atuação de alguns dos atores. As melhores atuações para mim foram de Katherine Langford, Dylan Minnette e Kate Walsh. Interpretando: Hannah Baker, Clay Jensen e Mrs. Baker (mãe da Hannah), respectivamente. 

Dylan Minnete conseguiu transmitir muito bem quais seriam as sensações de um garoto naquela situação. Em descobrir que poderia ser um dos motivos de ter levado uma garota ao suicídio. A atuação, em nenhum momento, foi exagerada. Lembro-me que ele chora em um dos episódios no banheiro. E ele me ganhou ali. É perceptível que a cada episódio ele está mais abatido, mais desolado e mais interferido pelas fitas de Hannah.

Kate Walsh é uma experiente atriz norte-americana, e protagonista na série "Bad Judge". A atuação dela foi tão boa, que acredito ter sido a melhor. Uma mãe que perdeu a filha. Em todas as cenas, percebe-se o olhar vazio de ter-se perdido um ente querido, as lágrimas, e a desolação em querer descobrir o que levou Hannah a praticar o suicídio. Ela me ganhou no último episódio. Quando entrou no banheiro e viu Hannah na banheira morta, ela claramente negou a situação. Não poderia jamais absorver e processar o que vira. E aquilo ficou tão nítido nesta cena, que eu me arrepiei.

Katherine Langford, a atriz principal da série, responsável pela atuação de Hannah Baker, não me convenceu cem por cento. E porque? Sinceramente a atuação dela fora um pouco branda demais durante todos os episódios (salvos uns ou outro). Em quase todas as cenas, vemos Hannah com um rosto contagiante de lindo. Uma garota apaixonante, sem dúvidas. Inclusive, no último episódio, no qual se mata, ela continua sendo a garota quase que sem lágrimas, linda e corada. Não consegui fazer uma ligação às expressões que projetava com as de uma garota prestes à cometer suicídio. Ela me ganhou como atriz em três cenas em especial: a primeira, quando Bryce pega em sua bunda na loja de doces; a segunda, quando é estuprada por Bryce na festa, e ela fica paralisada, sem sentir nada, com o olhar vago; e por último, a cena de sua morte. Em que ela vai gradualmente perdendo a respiração, sem exageros. Salvo estas três cenas, não estava gostando de sua atuação.

3

Em contrapartida as outras atuações não me convenceram nenhum pouco. O ator Miles Heizer, que interpreta Alex Standall, amigo de Hannah, na minha opinião não conseguiu esconder muito bem sua homossexualidade. Quero deixar claro que não tenho preconceitos contra homossexuais (gente, sério. Se tem uma coisa que eu não tenho: essa coisa é isso), mas faço teatro, e conheço as dificuldades que existem para um homossexual interpretar um papel heterossexual muito forte. Não é impossível, jamais. Mas não é fácil. E Miles não conseguiu, na minha opinião. Eu tinha lido uma reportagem que dizia sobre sua homossexualidade. E quando fui assisti a série, fui reparando os detalhes. Em cenas de briga, a voz dele desejava um pouco. E inclusive existe uma cena em que ele mesmo afirma ser chamado de gay na escola por conta disso. O que, ao meu ver, foi uma saída da produção.

Aslisha Boe, que interpreta Jessica Davis, não conseguiu me convencer muito também. Não me deixei levar pelos conflitos que a personagem vivenciou. Acredito que sua melhor cena tenha sido a que ela conta para o pai sobre o estupro. Ali sim, temos uma atriz de verdade. Agora, em toda a parte do alcoolismo e todos os demais conflitos, sua atuação foi superficial.

Sem mais comentários acerca de atuações. Estas cinco, acredito serem as que merecem comentários. As demais, nem isto merecem. :/ Uma pena.


Um outro detalhe que eu não gostei, foi em relação à abordagem que a série teve sobre a homossexualidade de Courtney Crimson, interpretada pela atriz Michele Selene Ang. Na verdade, não sei dizer ao certo se o ponto que vou levantar foi uma falha da série ou do livro original de Jay Asher. Em um dos episódios, salvo engano no quinto, Courtney se declara homossexual para Hannah. E este é o motivo pelo qual está em uma das fitas. Ela não se aceita, e acabou projetando sua homossexualidade em Hannah, ao invés de se assumir. Clay decide conversar com ela e a leva ao cemitério. Ao chegar, Courtney explica que não tem coragem de se assumir porque tem dois pais gays. E que se assumisse, todos iriam declarar que sua homossexualidade é produto da criação de dois pais. O QUE? De todos os pontos ou ângulos diferentes em que isto poderia ter sido abordado. Este foi o pior. O cinema e as artes visuais em geral são influenciadores no modo de pensar da sociedade. E parece que a produção se esqueceu disto. Ocorre que há anos vêm-se discutindo sobre a possibilidade de dois pais gays adotarem uma criança, e isto é ótimo. Eu, sem dúvidas, apoio completamente. Mas a igreja, a família tradicional, Ongs, e demais não aceitam. E justificam dizendo que pode influenciar numa suposta "decisão" que o filho venha a ter. E agora, essas mesmas pessoas irão auto afirmar seus argumentos ao assistirem esta cena. O que é péssimo. Clay ainda diz: mas estamos no século XXI, e você tem dois pais gays. Fala esta, que acredito ter salvado a cena. Eu espero que todos olhem para esta cena com os olhos positivos e NÃO levem em consideração o pensamento de Courtney. Acho que o mais sensato seria se Courtney não pensasse assim, mas os outros. E depois ela os enfrentasse. Tanto que todos da escola sempre a disseram para superar isso e que ninguém se importava. Só ela. Ou seja, a série mostrou o lado psicológico de uma criança se descobrir gay tendo dois pais gays. E isto, para mim, foi negativo. :/

5

Eu gosto de séries que deixam um espaço para o mistério. E para as descobertas e reviravoltas. E eu senti um pouco de falta em "13 Reasons Why" neste ponto. Os diálogos e as fitas de Hannah a deixavam com a verdade absoluta. Clay não duvidava de nada. E nada ficava subentendido. Sempre descobrimos facilmente à quem a fita é direcionada. E os fatos se desenrolam logo em seguida. Nada fica muito subentendido. E não sei se gostei disto, pois deixou um pouco linear demais a sequência de episódios.


Um outro ponto que estava me incomodando era a demora de Clay em escutar as fitas. E acredito que isto chegou a incomodar a todos. Inclusive, depois cheguei a ver um meme de uma caveira em uma fan page no Facebook, dizendo que era o Tony esperando que o Clay ouvisse todas as fitas. Isso meio que virou piada mesmo. Embora eu tivesse este incômodo, eu até entendo. É "necessário" que ele escute devagar, porque ele tem que ver todas as cenas, e a gente tem que descobrir as coisas junto com ele, e essas coisas. Mas será que esta seria a única opção? No livro, de acordo com a minha amiga, Clay escuta as fitas em uma única noite. O que seria o mais sensato. Afinal, ele queria descobrir o porquê de estar ali. E demorar 2 meses para isso, não faz sentido. Hipérbole aqui. Fui pensando nas possibilidades, e me perguntei de não teria sido melhor a série mostrar cada um dos personagem escutando uma das fitas. Não sei. Então não sei se devo criticar essa forma. Teríamos perdido a atuação de Dylan Minnette, e não sei se gostaria disso.

Enfim, estes foram os seis pontos que eu consegui levantar da série. Me digam nos comentários se concorda com algum, ou se discorda. É uma ótima produção. Vale muito a pena. ♥.

Leia também a postagem sobre a série do blog Realidade Caótica. Uma ótima resenha. Clique aqui.

Elcimar Reis. 

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Comentários
8 Comentários

8 mil comentários

  1. Achei seus pontos muito relevantes.E também concordo que poderia ter tido uma outra maneira de mostrar o clay ouvindo as fitas em uma única noite.. Tipo no livro pelo que me lembro ele escutava a fita e visitava seus donos e nessa visita poderia ter algum tipo de flashback. Mas como vc bem disse é uma adaptação então tinha que ser algo que tivesse muitos episódios �� Gostei da opinião

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    1. Oie Milena. ♥ Fico feliz que tenha gostado da opinião exposta sobre a série. Concordo com o que disse, poderia-se ter tido outras maneiras de mostrar o Clay escutando as fitas. Mas adaptações. Não conseguimos viver com elas, não conseguimos viver sem elas. ♥

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  2. Olá Elcimar, ótima postagem ✿
    Bem, concordo com quase todos os pontos que você citou, a questão da atuação da atriz que interpreta a Hannah pra mim foi perfeita, principalmente na última parte na banheira como você mesmo citou. No meu ver, ela estava sofrendo e estava deprimida, mas isso não quer dizer que ela vai ficar de cara emburrada o tempo inteiro, ao contrário, houve horas em que ela explodia e outras em que "parecia" estar feliz quando seus sentimentos estavam apenas encobertos, até que uma nova pessoa a decepcionasse novamente.

    A lerdeza do Clay também me incomodou demais rs, mas isso para mim acabou passando por causa da atuação que o Dylan Minnette teve, o personagem Clay transpassou para mim como um jovem super sensível e com problemas para se relacionar com outras pessoas, a atuação dele foi tão impecável para mim que me deixava angustiada com o jeito que o Clay agia.
    Enfim, eu gostei muitíssimo dessa série, e seria interessante ter uma segunda temporada, eu tenho esperanças, o último episódio me deu.

    Abraços,
    Bia

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    1. Oie Bia, sem dúvidas. ♥ Concordo com o que disse sobre a atuação da Hannah. Ela passava por algumas transformações durante a série e isso é bom. Minha pontuação foi em questão das cenas que eu acredito que ela deveria estar sofrendo um pouco mais, sabe? Acho que em suma a atuação dela foi um pouco branda, salvo pelas exceções que eu citei lá em cima. Sobre o Clay: concordo. A atuação do Dylan Minnette foi impecáveeeel, e as atitudes da personagem era opostas. Affs. Mas o Clay: ♥

      Obrigado pelo posicionamento Bia.

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  3. Eu não tive paciência para assistir além do terceiro episódio. Já tinha lido o livro anos antes, e as adaptações da série não me atraíram, como o exemplo que você deu, sobre o Clay demorar mil anos para terminar de escutar as fitas.
    Também não fui com a cara da atuação da atriz principal, ela parecia muito normal para alguém que estava sofrendo. Nem os olhos estavam sofridos, nadinha. Muito insossa.

    Com amor,
    Bruna Morgan

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    1. Oie Bruna. ♥ Acho que, principalmente pelo fato de já ter lido o livro, você deveria dar uma outra chance à série. Ficou uma ótima adaptação. Nunca será como o livro, porque é uma adaptação. A série ficou ótima, em suma. Não perfeita, mas ótima! ♥

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