A dor proveniente.

11:27

         Imagem de back, boy, and bathroom

         A dor acorda. Aquela física, que rói não só o peito, mas o conjunto estrutural humano por inteiro. Pedro, deste modo, havia acordado. Bateu a mão no despertador que ficava ao lado de sua cama, na esperança infrutífera de já ser, de fato, a hora do trabalho. 2:00. Não era. Por que havia acordado tão cedo assim? Virou-se na cama, fitando o teto com os olhos. O olhar, tateava o escuro, na tentativa de encontrar o motivo do infortúnio. De repente: o barulho. Seus olhos, do teto, viraram-se para a porta. O que fora aquilo? Decidiu se levantar. Pedro era corajoso. Calçou as sandálias que estavam aos pés da cama e foi em direção ao som desconhecido. 
            O primeiro andar de sua casa era composto por uma cozinha muito bem mobiliada, uma sala e uma copa. Os quartos ficavam em cima, onde estava. Pela hora, todos já se encontravam dormindo. Passou ligeiro por todos os cômodos, ligando e desligando as respectivas iluminações. Nada. Não havia nada, e Pedro não entendia. Sua expressão de confuso já era, naquela altura, mais assustadora do que o barulho que escutara. De repente: o barulho. Parou-se imediatamente. Sabia de onde vinha! 
       A investigação preliminar da ocorrência do estranho fato, já se encontrava em sua fase derradeira. Pedro havia identificado o real motivo e estava decidido a eliminá-lo. Agora, corria em direção ao banheiro, que se encontrava no andar de cima junto aos quartos. Adentrou o cômodo, ligou desesperadamente as luzes. E... nada. Desacreditado, gritou. Talvez tivesse acordado alguém na casa, mas decidiu não pensar nisso. Lavou o rosto, querendo estar mais acordado. Fitou seu "eu" do espelho, amaldiçoando o estranho barulho. Seu peito latejava, era uma dor de que não gostava. Levantou a camisa, quando, de repente: o barulho! Vinha lá de dentro. O espaço que correspondia ao seu órgão pulsador, estava estranhamente elevado. Era como se quisesse saltar. O barulho crescia, crescia e crescia. Som de entranhas. De contorção. Foi, então, que percebeu. O barulho vinha dar dor que recebeu. Coração quebrado. Alma devastada. Pedro já não conseguia ficar em pé: caiu. Pupila dilatada. Mão no peito. Morte constatada: 2:45. 
            Sem alma, levantou-se. Cabisbaixo, dirigiu-se até a cama e dormiu. Havia uma vida inteira pra fingir ser vivida. 

Elcimar Reis. 

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Comentários
6 Comentários

6 mil comentários

  1. Caraca, que conto maravilhoso e bem escrito. Achei ele incrível, sério! Só lamento ser tão curtinho haha

    Beijos!
    www.memorizeis.tk

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    1. Oownt Viviane! Muito obrigadoooo! 🔥💘💥
      Então é porque na minha cabeça as pessoas vão ter preguiça de ler se for grande. Por isso sempre escrevo coisas pequenas. Essa era de rápida absorção me assusta! 🌞

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  2. Já acordei várias vezes com essa dor no peito :C, rolar na cama inquieta e me sentir sem vida.

    Com amor,
    Bruna Morgan

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    1. Sssim Bruna! Incontáveis vezes! 💘🌫😍🔥

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  3. Que demais esse texto! Você escreve muito bem, de verdade. Consegui imaginar e sentir aqui.

    Fe
    www.feejao.com

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    1. Aaaaaa. Muito obrigado por essas palavras! 💘

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