Memórias póstumas do sentimento que enterrei.

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Abri desesperadamente os olhos: não enxergava nada. De modo que formassem um "X" sob meu tórax, minhas mãos estavam atadas. Não havia muito espaço para as minhas pernas, e em poucos segundos aquilo já me incomodava. Comecei a gritar, e o som ecoado quase me deixou surdo. Atônito, me dei conta da inexistência de outra solução: precisava gritar. Mexi um pouco as mãos para me livrar das amarras que as atavam. Batia, enlouquecidamente, na madeira acima de mim. Gritei. Gritei e gritei mais. Até que cheguei a conclusão: não adiantava. Fechei os olhos e percebi: de tudo aquilo, era o cheio das flores ao meu redor o que mais me incomodava. 

Elcimar Reis. 

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Comentários
7 Comentários

7 mil comentários

  1. Genial! Tornou-se um dos meus preferidos daqui 💗💗💗

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    1. Lari. Muito obrigado pelo carinho de sempreee. Receber um elogio seu é um dos meus maiores prazeres como escritor. Obrigado! ♥

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  2. Bem profundo. Gostei! :)
    Beijos!

    www.likeparadise.com.br

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    1. Muito obrigado pelo carinho de sempre Thami! ♥.

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  3. Ai que agoniante. Mas eu gostei, passa a sensação de caustrofobia. Imagino o desespero e incomodo de alguém nessa situação. Posta mais hehe

    https://enleiosdenami.blogspot.com.br

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    1. "posta mais". uahushuahsu, adorei. Obrigado pelo carinho Nami! ♥.

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  4. Às vezes estamos mortos que vivem.
    É triste, mas tão, tão real!

    Beijos,

    Algumas Observações

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