A guerra aqui de dentro.

13:30

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Atacar 

Era essa a ordem. Urrada por um exército sedento por sangue e pela própria guerra. Ordem que fora claramente possível de se escutar. Todos estavam cientes, mas nem todos preparados. A guerra fora anunciada há poucos dias, e muitos ainda insistiam em dizer que era mentira. Afinal, como aquilo poderia estar acontecendo? Já vivenciamos um ou outro conflito, fosse ele natural ou fosse social. Já choramos, e já enterramos amigos e memórias. Mas uma guerra? Não seria isto demais? Fosse como fosse, nos preparamos. Nosso chefe havia nos convocado. E lá estávamos, parados, de um lado, aguardando o comando. Enquanto do outro, remanescia um exército correndo em nossa direção. 

Atacar

Era essa a ordem. Mas agora, a nossa. Corremos em direção ao exército, que também corria à nossa. O solo estava grudento, e eu não entendia muito o porquê. Estávamos fracos, e nem havíamos começado. De onde eu estava, consegui vislumbrar a pior cena da minha ínfima existência. Estávamos sendo massacrados. Havia muito mais combatentes do lado de lá do que do nosso. Era um suicídio! Mas quando se está em guerra, nunca se pensa em voltar. A vontade de viver é sempre maior. Então, continuei. Lancei minha espada sobre o peito e cabeça de um ou outro soldado, ferindo-os. Até que senti, sob o meu próprio, o que parecia ser uma falha pulmonar. Não respirava. Sob meu peito, jazia uma espada, que o atravessava. Saiu. Deixando um vazio, um buraco, que rapidamente fora preenchido pelo sangue que não sabia para onde ir. Cai ao chão, apenas ouvindo o barulho. A música que me enterraria. A melodia gritada que seria a minha última. Até que percebi que o céu se debruçava sobre mim, e que todos pararam de lutar. Era o fim. Mas não só o meu. De todos. O exército do outro lado comemorava, mesmo sabendo que morreriam também. Mas não importava. Haviam conseguido conquistar o que queriam. Pararam o coração. E com ele logo pararia também a circulação. Em torno de minutos todos os órgãos falhariam, e morreríamos todos. Meus olhos se fecharam e eu desejei viver. Mesmo que fosse apenas uma célula de defesa de um ser que perdera o amor pela vida. Quisera eu ser um neurônio, quem sabe seria diferente e eu teria uma chance de mostrar amor pela vida àquela mente.


Elcimar Reis. 

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Comentários
2 Comentários

2 mil comentários

  1. Saudades dos teus textos, simples porém profundo. Me senti no meio da guerra lendo. Amei.

    Abraços,

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  2. Que metáfora incrível, que texto maravilhoso...!

    (Tá incrível e maravilhoso também este layout novo, amei <3)

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