O Rei que não devia ter sido Rei.

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Esculpi pra ti um trono.
Feito de mármore pesado, 
Bruto, às mãos moldado. 
Não ainda satisfeito, o pus lá. 
Abracei-o, e fiz de ti meu Rei. 
Adorando-o de longe, de perto, 
De baixo e de todos os lados. 
Amordacei tua boca, para que não falasse. 
E depois, conversei sozinho contigo. 
Dissertando constelações, 
Para que só minhas estrelas tu contasse. 

Após tantos monólogos, dei por conta 
Que tu não constituía um bom Rei. 
E que eu, muito menos, constituía um bom súdito. 
Súbito, percebi: não gostava de ser súdito. 
O libertei, pedi desculpas pela prisão que criara, 
E te deixei ir, sem que precisasse olhar pra trás.

Tomei teu lugar no trono de mármore pesado. 
Agora, dono do meu próprio reino, libertado. 
Obrigado por tantos monólogos e pela falta de atenção. 
Só assim se percebe quem, de nós, merece compaixão. 

Elcimar Reis. 

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Comentários
2 Comentários

2 mil comentários

  1. PUTA QUE PARIU me perdoe o palavrão mas mano do céu, você existe? Eu não sei porque ainda me surpreendo com sua capacidade incrível de colocar sentimentos em palavras e as referencias que você põe em um poema para chegar a uma conclusão no final é espetacular. Seria tu, o novo maior escritor do mundo? Para mim, com certeza <3333333

    www.memorizeis.com

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  2. Adorei!

    O Blog da Fênix agora é Cobaia Amiga! Para comemorar a mudança estou sorteando um presentinho para uma leitora lá no blog: http://www.cobaiaamiga.com/2018/01/sorteio-kit-cabelos.html

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